O Alferes e a Menina Alice das “Maravilhas”
Dedico estas memórias a minha Bisneta Alice.
1878 – Portugal, Quartel de Tancos.
o jovem Alferes José Constâncio da Silva ; meu Bisavô, recebe a comissão para o Batalhão da Coroa Portuguesa n.º 23, destinado à longínqua Província das Minas Gerais, no Brasil. Sua missão: proteger um trecho da Estrada Real, que ligava o Rio de Janeiro às jazidas de diamantes de Diamantina.
Designado à 3ª Companhia em Leopoldina — outrora o arraial do Feijão Cru, então já movimentado pela linha férrea da Leopoldina Railway Company —, cabia ao Alferes vigiar os caminhos do norte, escoltar mercadorias, gemas preciosas, ouro, autoridades, e enfrentar saqueadores.
Entre marchas e escoltas, seus olhos pousaram sobre o fértil vale do Rio Pirapetinga, terras da antiga Sesmaria da Solidão. O coração do militar inquieto começou a sonhar: ali poderia erguer família, plantar raízes, aquietar-se.
Em seus devaneios de pouso, ora se via dono de uma casa de pasto, ora estalajadeiro, oferecendo cama macia aos viajantes cansados. Sempre, porém, imaginava uma morada segura para acolher a família que um dia teria.
- O destino abre-lhe as portas: ele e o Furriel Francisco José Pires ganham o prêmio maior da loteria da Coroa. Com os recursos, José Constâncio investe naquele arraial promissor, adquirindo terras agrícolas e terrenos no arruamento.
*1886. Exonerado do posto, inicia vida civil no arraial de Senhora de Pirapetinga, ao lado da esposa Maria Soledade Puris, Índia dos Puris da nação indigena dos Tamoios, minha Bisavó. Ali nasceram Antônia Constâncio da Silva e Antônio Constâncio da Silva, este último meu Avô.
O Alferes realiza seus sonhos num só edifício:
No rés-do-chão, a casa de pasto; No primeiro andar a estalagem;
No segundo, a morada da família.
Com o tempo, seu filho Antônio casa-se com Rosa Emília *Carlucci, filha de Bárbara Milburges Carlucci, suíça do Cantão Ticino, de fala italiana. Dessa união, florescem nove filhos — quatro homens e cinco mulheres. Entre eles, Nyra Carlucci Constâncio da Silva, minha Mãe.
A família cresce velozmente. Já em 1930, só em Minas Gerais, os descendentes do Alferes somavam mais de sessenta almas.
- O tempo gira a roda da vida. Meus filhos partem para Portugal, onde fincam raízes. Dois netos meus ingressam no Exército Português. O mais velho, João, repete o destino do Trisavô: segue carreira como militar, no hoje Exército Português
*2017. O Primeiro Cabo -Ranger- João Amyres Oliveira desposa uma jovem portuguesa, Ana Bentes — minha Duonora, nova ramificação da árvore Constâncio da Silva em solo luso.
*2025. Quase em desesperança, mas enfim em júbilo, nasce Alice, minha bisneta. Como se o Coelho Branco tivesse saltado, o de “Alice no País das Maravilhas”, ela vem iluminar o presente, tetraneta do Alferes José, fechando um círculo de quase 250 anos da saga familiar.
Assim, a história se completa: do quartel em Tancos às margens do Pirapetinga; das pousadas coloniais às ruas de Portugal; do sonho de um Alferes à realidade de sua tetraneta Alíce.
Ela, pequena maravilha, é a prova viva de que o tempo é fio que tece destinos.
Oliveira Filho Amyres
Um Trota Mundo seus Senderos e suas Sendas
Nota:
Este Conto Relato Histórico será guion do livro, Fhilosofar de um Trota Mundo- Seus Senderos e suas Sendas
Não sou historiador, sou elo !

